Jornalismo a serviço de quê?

Por Sylvia Debossan Moretzsohn em 18/02/2014 na edição 786 – Observatório de Imprensa

O que pode pretender um grande jornal quando divulga uma entrevista com um mascarado que se apresenta como black bloc e lança ameaças de atentados, em ônibus e hotéis, às delegações e aos turistas que vierem para a Copa?

O Estado de S.Paulo publicou no domingo (16/2) matéria com os trechos principais de uma entrevista disponibilizada em seu site (TV Estadão) na véspera. Precisamente no momento em que o secretário de Segurança do Rio envia ao Congresso Nacional um projeto de lei que vem se somar a tantos outros voltados a tipificar o crime de terrorismo, associando-o aos distúrbios urbanos provocados pelos protestos que começaram em meados do ano passado e que agora exibem o primeiro cadáver produzido pelos manifestantes.

Pode um jornal entrevistar um sujeito que se apresenta com nome fictício e se esconde atrás de uma máscara para fazer ameaças?

A situação fez lembrar a famosa entrevista que Gugu Liberato promoveu em seu programa dominical, em 2003, com dois supostos integrantes da maior organização criminosa nos presídios paulistas, que vinha então comandando atentados na cidade. Os dois mascarados, diante do auditório e das câmeras, ameaçavam jornalistas. Era uma farsa, só para causar escândalo e dar Ibope, mas a reação foi imediata: no domingo seguinte o programa não pôde ir ao ar.

Acontecerá agora alguma coisa ao Estadão por ter ajudado a divulgar uma mensagem criminosa?

Leviandades jornalísticas

Este foi apenas o episódio mais recente de irresponsabilidade jornalística no contexto da cobertura da morte do cinegrafista da Band, semana passada. Em vez de guardar o prudente distanciamento em relação aos fatos para tentar esclarecer o que se passa, o noticiário, em suas várias plataformas, mergulhou no turbilhão de emoções e ajudou a disseminar boatos, insinuações e acusações sem prova.

O destaque dado à morte de Santiago Andrade é plenamente justificável porque se trata da primeira ocorrência fatal provocada por manifestantes. É o que distingue esta morte das demais, provocadas por acidentes ou pela ação da polícia. Mas a opção por uma cobertura intensiva, à beira da histeria, só poderia contribuir para aumentar a excitação, a ansiedade e a confusão em torno do que ocorreu e do que pode estar por trás do ato praticado pelos dois jovens presos.

Ou seja: só poderia resultar no contrário do que se exige do jornalismo. Especialmente agora, quando a internet facilita a disseminação de boatos e aumenta exponencialmente a incerteza sobre aquilo em que podemos confiar.

A cobertura favoreceu amplamente a atuação do advogado dos dois rapazes presos, que pôde dizer o que lhe dava na telha e tinha automaticamente suas declarações reproduzidas: seja a insinuação – apesar do pedido de desculpas, depois que o estrago estava convenientemente feito – de que o deputado Marcelo Freixo, do PSOL, estava envolvido com ações criminosas como aquela, seja a afirmação sobre o pagamento de manifestantes para a promoção de atos violentos, cuja suspeita também recaía automaticamente sobre partidos de esquerda.

Diante das críticas que recebeu – inclusive de Caetano Veloso, em seu espaço no próprio jornal (domingo, 16/2) –, O Globo publicou editorial para reiterar a justeza de seus procedimentos, ignorando que o ambiente criado pela cobertura em tempo real favorece a turbulência: se o jornal abre espaço para qualquer um dizer qualquer coisa, deixa de exercer sua função fundamental de filtrar o que pode e deve ser publicado imediatamente e o que precisa de tempo para ser devidamente apurado. Acaba servindo como porta-voz de certas fontes, que sabem muito bem a força da disseminação da suspeita, apesar do imediato desmentido: uma vez lançada, ela sempre sobrevive.

Isso é tão elementar que nem precisaria ser dito.

E é claro que quando essas fontes dizem exatamente o que o jornal gostaria de dizer, isso é só uma feliz coincidência.

Acusações sem provas

A denúncia sobre pagamento a manifestantes existe desde o início dos protestos, como lembrou Janio de Freitas em artigo na Folha de S.Paulo (16/2), sem que nada, até o momento, tenha sido provado. A diferença é que o pagamento não seria apenas para participar de manifestações – o que, de resto, é prática antiga na nossa política –, mas para provocar atos de vandalismo, como a depredação de patrimônio e a detonação de explosivos.

O que se apresentou como prova até agora foi uma relação de doações para uma ceia de Natal na Cinelândia com moradores de rua. Seria apenas ridículo divulgá-las como se atestassem o vínculo entre políticos de esquerda e as manifestações violentas que finalmente produziram um cadáver. Seria apenas ridículo, mas é mais que isso: é leviano, porque no ambiente radicalizado e volátil em que vivemos tudo o que venha a consolidar nossas crenças é assumido acriticamente, e então as contribuições para uma festinha comunitária se transformam em prova de associação para o crime e se espalha alegremente pelo espaço virtual.

Ao mesmo tempo, quem rejeita liminarmente a grande imprensa por considerá-la “fascista” e “golpista” – além de “burguesa”, bobagem que Alberto Dines já anotou ao dizer que burguesa é a sociedade – passa a ter mais argumentos para condená-la.

Curioso é que as suspeitas tenham recaído imediatamente sobre partidos de esquerda, inclusive sobre o PSTU – que, sabidamente, sempre condenou essas ações –, quando O Globo já noticiara, meses antes, um primeiro resultado das investigações policiais sobre os possíveis responsáveis pela organização de atos de vandalismo, que apontavam para pessoas ligadas ao ex-governador Anthony Garotinho, do PR, que se prepara para mais uma disputa eleitoral.

Além disso, ninguém se lembrou da prisão de membros do black bloc do Rio às vésperas das manifestações do 7 de Setembro do ano passado: de lá para cá, houve algum avanço nas investigações?

O preço da ambiguidade

Entretanto, é preciso reconhecer que o PSOL, e o deputado Marcelo Freixo em particular, deram oportunidade a que essas denúncias os atingissem. Em entrevista ao Observatório na TV (17/9/2013), Freixo reiterou o que vinha dizendo na época sobre a necessidade de “entender” aqueles jovens que optavam pela depredação. Como argumentei neste Observatório (“Os abusos do Estado e o elogio da destruição”), também precisaríamos, nesse caso, “entender” os demais comportamentos que nos surpreendem: por exemplo, agora, o dos “justiceiros” que agrediram, despiram e ataram o rapaz negro ao poste, no simbólico episódio ocorrido há duas semanas no Flamengo.

A rigor, precisaríamos mesmo, porque são um sintoma do tipo de sociedade que temos. No entanto, todos os que defendemos os direitos humanos não temos qualquer dúvida em condenar imediata e enfaticamente essa atitude.

A hesitação em rejeitar explicitamente, desde o início, as ações dos black blocs conduziu a uma ambiguidade que poderia sugerir adesão, e isso cobra seu preço no momento da tragédia.

Ao mesmo tempo, o partido retirou de seu site nacional um artigo teórico publicado em outubro do ano passado que sugeria uma possibilidade de aproximação com aquele grupo de ativistas. A atitude só ajudou a alimentar suspeitas e foi convenientemente explorada pela mídia e por todos quantos, nas redes sociais, se interessaram em recuperar o texto original, ainda disponível na página do PSOL de Pernambuco, estado de origem do autor (ver aqui).

Conflito de interesses

O terceiro aspecto que chama a atenção nessa cobertura é o conflito de interesses que impediria o advogado de atuar na defesa dos dois jovens, considerando que um denunciou o outro, que por isso acabou preso, e o outro agora acusa esse um.

O Globo, em vez de questionar esses fatos, preferiu abrir espaço para mostrar que o advogado se tornara uma súbita celebridade, “esquecendo” que isso só foi possível por causa da mídia. O Extra exibiu trechos do depoimento de um dos presos, um documento “a que teve acesso” sabe-se lá como, sem indagar da legalidade daquela ação, realizada no presídio durante a madrugada, sem assistência jurídica.

A hiperexposição dos dois jovens levava a supor que eles não estavam adequadamente orientados. De fato, quando é que vemos um advogado permitir que seus clientes sejam inquiridos pela imprensa como foram? E o que dizer do comportamento do próprio advogado, que reverberava tudo o que – supostamente – os rapazes lhe diziam? Tudo o que lhe convinha dizer, bem entendido, mesmo que agravasse a situação de quem ele se comprometeu a defender, como ficou óbvio no caso da afirmação sobre o pagamento para a participação nos protestos, que só agrava a pena para quem será julgado por homicídio – no caso, por motivo fútil.

Tudo isso deveria ter chamado a atenção da imprensa e orientado as pautas para uma investigação sobre esse advogado, que anos atrás defendeu um ex-deputado acusado de chefiar uma milícia no Rio. Acaso ele agiu assim naquela época? O que teria a OAB a dizer dessa conduta?

Muita calma nessa hora

O desenrolar das investigações diante da permanente presença das câmeras de TV e celulares acarretou, como costuma ocorrer nesses casos, uma excitação que, transbordando para as mídias sociais, levava a reverberar automaticamente qualquer informação, boato ou suspeita. Hoje, praticamente nenhum evento está a salvo de documentação: alguém sempre fotografa ou filma o que acontece, dos fatos mais banais aos mais impactantes.

A ação que resultou na morte de Santiago foi filmada dos mais variados ângulos e isso permitiu a rápida identificação dos autores, com imagens exaustivamente veiculadas na TV e esquadrinhadas por peritos. Mas a cobertura acrítica da grande imprensa facilitou a disseminação de dúvidas quanto ao noticiário e fez proliferar as hipóteses mais delirantes em relação ao que se passou, especialmente quando surgiram imagens que aparentemente contrariavam a versão oficial sobre o suspeito de ter acionado o rojão. Essa descrença, porém, continuou mesmo depois de desfeito o mal-entendido, o que demonstra até onde vai a cegueira militante.

No entanto, a excitação provocada pela caçada aos criminosos facilitou a criação de um ambiente de histeria punitiva que resultou no indiciamento dos dois jovens em homicídio doloso, o que é um flagrante absurdo a ser desfeito na hora do julgamento.

A rápida identificação dos culpados é apenas o ponto de partida para uma investigação que leva tempo e não pode ocorrer à vista de todos, para que se preservem as garantias ao devido processo legal.

Recentes análises publicadas neste Observatório indicam que vivemos um momento particularmente crítico e perigoso. É nessas horas que o trabalho da imprensa se reveste de uma relevância fundamental, como referência de credibilidade. A não ser que o objetivo seja fomentar a insegurança e o medo, para a formação de uma opinião pública favorável a projetos que limitem o campo da liberdade de manifestação. É aí que veremos a serviço de quem, e do quê, se pratica esse tipo de jornalismo.

***

Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora de Repórter no volante. O papel dos motoristas de jornal na produção da notícia (Editora Três Estrelas, 2013) e Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)

The Coming Technological Singularity

The Coming Technological Singularity:
How to Survive in the Post-Human Era

Vernor Vinge
Department of Mathematical Sciences
San Diego State University

(c) 1993 by Vernor Vinge
(Verbatim copying/translation and distribution of this
entire article is permitted in any medium, provided this
notice is preserved.)

This article was for the VISION-21 Symposium
sponsored by NASA Lewis Research Center
and the Ohio Aerospace Institute, March 30-31, 1993.
It is also retrievable from the NASA technical reports
server as part of NASA CP-10129.
A slightly changed version appeared in the
Winter 1993 issue of _Whole Earth Review_.

Abstract

Within thirty years, we will have the technological
means to create superhuman intelligence. Shortly after,
the human era will be ended.

Is such progress avoidable? If not to be avoided, can
events be guided so that we may survive?  These questions
are investigated. Some possible answers (and some further
dangers) are presented.

_What is The Singularity?_

The acceleration of technological progress has been the central
feature of this century. I argue in this paper that we are on the edge
of change comparable to the rise of human life on Earth. The precise
cause of this change is the imminent creation by technology of
entities with greater than human intelligence. There are several means
by which science may achieve this breakthrough (and this is another
reason for having confidence that the event will occur):
o The development of computers that are “awake” and
superhumanly intelligent. (To date, most controversy in the
area of AI relates to whether we can create human equivalence
in a machine. But if the answer is “yes, we can”, then there
is little doubt that beings more intelligent can be constructed
shortly thereafter.
o Large computer networks (and their associated users) may “wake
up” as a superhumanly intelligent entity.
o Computer/human interfaces may become so intimate that users
may reasonably be considered superhumanly intelligent.
o Biological science may find ways to improve upon the natural
human intellect.

The first three possibilities depend in large part on
improvements in computer hardware. Progress in computer hardware has
followed an amazingly steady curve in the last few decades [16]. Based
largely on this trend, I believe that the creation of greater than
human intelligence will occur during the next thirty years.  (Charles
Platt [19] has pointed out the AI enthusiasts have been making claims
like this for the last thirty years. Just so I’m not guilty of a
relative-time ambiguity, let me more specific: I’ll be surprised if
this event occurs before 2005 or after 2030.)

What are the consequences of this event? When greater-than-human
intelligence drives progress, that progress will be much more rapid.
In fact, there seems no reason why progress itself would not involve
the creation of still more intelligent entities — on a still-shorter
time scale. The best analogy that I see is with the evolutionary past:
Animals can adapt to problems and make inventions, but often no faster
than natural selection can do its work — the world acts as its own
simulator in the case of natural selection. We humans have the ability
to internalize the world and conduct “what if’s” in our heads; we can
solve many problems thousands of times faster than natural selection.
Now, by creating the means to execute those simulations at much higher
speeds, we are entering a regime as radically different from our human
past as we humans are from the lower animals.

From the human point of view this change will be a throwing away
of all the previous rules, perhaps in the blink of an eye, an
exponential runaway beyond any hope of control. Developments that
before were thought might only happen in “a million years” (if ever)
will likely happen in the next century. (In [4], Greg Bear paints a
picture of the major changes happening in a matter of hours.)

I think it’s fair to call this event a singularity (“the
Singularity” for the purposes of this paper). It is a point where our
models must be discarded and a new reality rules. As we move closer
and closer to this point, it will loom vaster and vaster over human
affairs till the notion becomes a commonplace. Yet when it finally
happens it may still be a great surprise and a greater unknown.  In
the 1950s there were very few who saw it: Stan Ulam [27] paraphrased
John von Neumann as saying:

One conversation centered on the ever accelerating progress of
technology and changes in the mode of human life, which gives the
appearance of approaching some essential singularity in the
history of the race beyond which human affairs, as we know them,
could not continue.

Von Neumann even uses the term singularity, though it appears he
is still thinking of normal progress, not the creation of superhuman
intellect. (For me, the superhumanity is the essence of the
Singularity. Without that we would get a glut of technical riches,
never properly absorbed (see [24]).)

In the 1960s there was recognition of some of the implications of
superhuman intelligence. I. J. Good wrote [10]:

Let an ultraintelligent machine be defined as a machine
that can far surpass all the intellectual activities of any
any man however clever.  Since the design of machines is one of
these intellectual activities, an ultraintelligent machine could
design even better machines; there would then unquestionably
be an “intelligence explosion,” and the intelligence of man
would be left far behind.  Thus the first ultraintelligent
machine is the _last_ invention that man need ever make,
provided that the machine is docile enough to tell us how to
keep it under control.

It is more probable than not that, within the twentieth century,
an ultraintelligent machine will be built and that it will be
the last invention that man need make.

Good has captured the essence of the runaway, but does not pursue
its most disturbing consequences. Any intelligent machine of the sort
he describes would not be humankind’s “tool” — any more than humans
are the tools of rabbits or robins or chimpanzees.

Through the ’60s and ’70s and ’80s, recognition of the cataclysm
spread [28] [1] [30] [4]. Perhaps it was the science-fiction writers
who felt the first concrete impact.  After all, the “hard”
science-fiction writers are the ones who try to write specific stories
about all that technology may do for us.  More and more, these writers
felt an opaque wall across the future. Once, they could put such
fantasies millions of years in the future [23].  Now they saw that
their most diligent extrapolations resulted in the unknowable …
soon. Once, galactic empires might have seemed a Post-Human domain.
Now, sadly, even interplanetary ones are.

What about the ’90s and the ’00s and the ’10s, as we slide toward
the edge? How will the approach of the Singularity spread across the
human world view? For a while yet, the general critics of machine
sapience will have good press. After all, till we have hardware as
powerful as a human brain it is probably foolish to think we’ll be
able to create human equivalent (or greater) intelligence. (There is
the far-fetched possibility that we could make a human equivalent out
of less powerful hardware, if were willing to give up speed, if we
were willing to settle for an artificial being who was literally slow
[29]. But it’s much more likely that devising the software will be a
tricky process, involving lots of false starts and experimentation. If
so, then the arrival of self-aware machines will not happen till after
the development of hardware that is substantially more powerful than
humans’ natural equipment.)

But as time passes, we should see more symptoms. The dilemma felt
by science fiction writers will be perceived in other creative
endeavors.  (I have heard thoughtful comic book writers worry about
how to have spectacular effects when everything visible can be
produced by the technically commonplace.) We will see automation
replacing higher and higher level jobs. We have tools right now
(symbolic math programs, cad/cam) that release us from most low-level
drudgery. Or put another way: The work that is truly productive is the
domain of a steadily smaller and more elite fraction of humanity. In
the coming of the Singularity, we are seeing the predictions of _true_
technological unemployment finally come true.

Another symptom of progress toward the Singularity: ideas
themselves should spread ever faster, and even the most radical will
quickly become commonplace.  When I began writing, it seemed very easy
to come up with ideas that took decades to percolate into the cultural
consciousness; now the lead time seems more like eighteen months. (Of
course, this could just be me losing my imagination as I get old, but
I see the effect in others too.) Like the shock in a compressible
flow, the Singularity moves closer as we accelerate through the
critical speed.

And what of the arrival of the Singularity itself? What can be
said of its actual appearance? Since it involves an intellectual
runaway, it will probably occur faster than any technical revolution
seen so far.  The precipitating event will likely be unexpected —
perhaps even to the researchers involved. (“But all our previous
models were catatonic! We were just tweaking some parameters….”) If
networking is widespread enough (into ubiquitous embedded systems), it
may seem as if our artifacts as a whole had suddenly wakened.

And what happens a month or two (or a day or two) after that? I
have only analogies to point to: The rise of humankind. We will be in
the Post-Human era. And for all my rampant technological optimism,
sometimes I think I’d be more comfortable if I were regarding these
transcendental events from one thousand years remove … instead of
twenty.

_Can the Singularity be Avoided?_

Well, maybe it won’t happen at all: Sometimes I try to imagine
the symptoms that we should expect to see if the Singularity is not to
develop.  There are the widely respected arguments of Penrose [18] and
Searle [21] against the practicality of machine sapience.  In August
of 1992, Thinking Machines Corporation held a workshop to investigate
the question “How We Will Build a Machine that Thinks” [Thearling]. As
you might guess from the workshop’s title, the participants were not
especially supportive of the arguments against machine intelligence.
In fact, there was general agreement that minds can exist on
nonbiological substrates and that algorithms are of central importance
to the existence of minds.  However, there was much debate about the
raw hardware power that is present in organic brains. A minority felt
that the largest 1992 computers were within three orders of magnitude
of the power of the human brain.  The majority of the participants
agreed with Moravec’s estimate [16] that we are ten to forty years
away from hardware parity. And yet there was another minority who
pointed to [6] [20], and conjectured that the computational competence
of single neurons may be far higher than generally believed. If so,
our present computer hardware might be as much as _ten_ orders of
magnitude short of the equipment we carry around in our heads. If this
is true (or for that matter, if the Penrose or Searle critique is
valid), we might never see a Singularity. Instead, in the early ’00s
we would find our hardware performance curves begin to level off —
this caused by our inability to automate the complexity of the design
work necessary to support the hardware trend curves. We’d end up with
some _very_ powerful hardware, but without the ability to push it
further.  Commercial digital signal processing might be awesome,
giving an analog appearance even to digital operations, but nothing
would ever “wake up” and there would never be the intellectual runaway
which is the essence of the Singularity. It would likely be seen as a
golden age … and it would also be an end of progress. This is very
like the future predicted by Gunther Stent.  In fact, on page 137 of
[24], Stent explicitly cites the development of transhuman
intelligence as a sufficient condition to break his projections.

But if the technological Singularity can happen, it will. Even
if all the governments of the world were to understand the “threat”
and be in deadly fear of it, progress toward the goal would continue.
In fiction, there have been stories of laws passed forbidding the
construction of “a machine in the form of the mind of man” [12].  In
fact, the competitive advantage — economic, military, even artistic
— of every advance in automation is so compelling that passing laws,
or having customs, that forbid such things merely assures that someone
else will get them first.

Eric Drexler [7] has provided spectacular insight about how far
technical improvement may go. He agrees that superhuman intelligences
will be available in the near future — and that such entities pose a
threat to the human status quo. But Drexler argues that we can embed
such transhuman devices in rules or physical confinement such that
their results can be examined and used safely.  This is I. J. Good’s
ultraintelligent machine, with a dose of caution. I argue that
confinement is intrinsically impractical. For the case of physical
confinement: Imagine yourself confined to your house with only limited
data access to the outside, to your masters. If those masters thought
at a rate — say — one million times slower than you, there is little
doubt that over a period of years (your time) you could come up with
“helpful advice” that would incidentally set you free. (I call this
“fast thinking” form of superintelligence “weak superhumanity”. Such a
“weakly superhuman” entity would probably burn out in a few weeks of
outside time. “Strong superhumanity” would be more than cranking up
the clock speed on a human-equivalent mind.  It’s hard to say
precisely what “strong superhumanity” would be like, but the
difference appears to be profound. Imagine running a dog mind at very
high speed. Would a thousand years of doggy living add up to any human
insight? (Now if the dog mind were cleverly rewired and _then_ run at
high speed, we might see something different….) Most speculations
about superintelligence seem to be based on the weakly superhuman
model. I believe that our best guesses about the post-Singularity
world can be obtained by thinking on the nature of strong
superhumanity. I will return to this point later in the paper.)

The other approach to Drexlerian confinement is to build _rules_
into the mind of the created superhuman entity (Asimov’s Laws). I
think that performance rules strict enough to be safe would also
produce a device whose ability was clearly inferior to the unfettered
versions (and so human competition would favor the development of the
those more dangerous models).  Still, the Asimov dream is a wonderful
one: Imagine a willing slave, who has 1000 times your capabilities in
every way. Imagine a creature who could satisfy your every safe wish
(whatever that means) and still have 99.9% of its time free for other
activities. There would be a new universe we never really understood,
but filled with benevolent gods (though one of _my_ wishes might be to
become one of them).

If the Singularity can not be prevented or confined, just how bad
could the Post-Human era be? Well … pretty bad. The physical
extinction of the human race is one possibility. (Or as Eric Drexler
put it of nanotechnology: Given all that such technology can do,
perhaps governments would simply decide that they no longer need
citizens!). Yet physical extinction may not be the scariest
possibility.  Again, analogies: Think of the different ways we relate
to animals. Some of the crude physical abuses are implausible, yet….
In a Post-Human world there would still be plenty of niches where
human equivalent automation would be desirable: embedded systems in
autonomous devices, self-aware daemons in the lower functioning of
larger sentients. (A strongly superhuman intelligence would likely be
a Society of Mind [15] with some very competent components.) Some
of these human equivalents might be used for nothing more than digital
signal processing. They would be more like whales than humans. Others
might be very human-like, yet with a one-sidedness, a _dedication_
that would put them in a mental hospital in our era.  Though none of
these creatures might be flesh-and-blood humans, they might be the
closest things in the new enviroment to what we call human now. (I. J.
Good had something to say about this, though at this late date the
advice may be moot: Good [11] proposed a “Meta-Golden Rule”,
which might be paraphrased as “Treat your inferiors as you would be
treated by your superiors.”  It’s a wonderful, paradoxical idea (and
most of my friends don’t believe it) since the game-theoretic payoff
is so hard to articulate. Yet if we were able to follow it, in some
sense that might say something about the plausibility of such kindness
in this universe.)

I have argued above that we cannot prevent the Singularity,
that its coming is an inevitable consequence of the humans’ natural
competitiveness and the possibilities inherent in technology.  And yet
… we are the initiators. Even the largest avalanche is triggered by
small things. We have the freedom to establish initial conditions,
make things happen in ways that are less inimical than others. Of
course (as with starting avalanches), it may not be clear what the
right guiding nudge really is:

_Other Paths to the Singularity: Intelligence Amplification_

When people speak of creating superhumanly intelligent beings,
they are usually imagining an AI project. But as I noted at the
beginning of this paper, there are other paths to superhumanity.
Computer networks and human-computer interfaces seem more mundane than
AI, and yet they could lead to the Singularity. I call this
contrasting approach Intelligence Amplification (IA). IA is something
that is proceeding very naturally, in most cases not even recognized
by its developers for what it is. But every time our ability to access
information and to communicate it to others is improved, in some sense
we have achieved an increase over natural intelligence. Even now, the
team of a PhD human and good computer workstation (even an off-net
workstation!) could probably max any written intelligence test in
existence.

And it’s very likely that IA is a much easier road to the
achievement of superhumanity than pure AI. In humans, the hardest
development problems have already been solved. Building up from within
ourselves ought to be easier than figuring out first what we really
are and then building machines that are all of that. And there is at
least conjectural precedent for this approach.  Cairns-Smith [5] has
speculated that biological life may have begun as an adjunct to still
more primitive life based on crystalline growth.  Lynn Margulis [14]
has made strong arguments for the view that mutualism is the great
driving force in evolution.

Note that I am not proposing that AI research be ignored or less
funded. What goes on with AI will often have applications in IA, and
vice versa.  I am suggesting that we recognize that in network and
interface research there is something as profound (and potential wild)
as Artificial Intelligence. With that insight, we may see projects
that are not as directly applicable as conventional interface and
network design work, but which serve to advance us toward the
Singularity along the IA path.

Here are some possible projects that take on special
significance, given the IA point of view:
o Human/computer team automation: Take problems that are normally
considered for purely machine solution (like hill-climbing
problems), and design programs and interfaces that take a
advantage of humans’ intuition and available computer hardware.
Considering all the bizarreness of higher dimensional
hill-climbing problems (and the neat algorithms that have been
devised for their solution), there could be some very interesting
displays and control tools provided to the human team member.
o Develop human/computer symbiosis in art: Combine the graphic
generation capability of modern machines and the esthetic
sensibility of humans. Of course, there has been an enormous
amount of research in designing computer aids for artists, as
labor saving tools.  I’m suggesting that we explicitly aim for a
greater merging of competence, that we explicitly recognize the
cooperative approach that is possible. Karl Sims [22] has done
wonderful work in this direction.
o Allow human/computer teams at chess tournaments. We already
have programs that can play better than almost all humans. But
how much work has been done on how this power could be used by a
human, to get something even better? If such teams were allowed
in at least some chess tournaments, it could have the positive
effect on IA research that allowing computers in tournaments had
for the corresponding niche in AI.
o Develop interfaces that allow computer and network access without
requiring the human to be tied to one spot, sitting in front of a
computer. (This is an aspect of IA that fits so well with known
economic advantages that lots of effort is already being spent on
it.)
o Develop more symmetrical decision support systems. A popular
research/product area in recent years has been decision support
systems. This is a form of IA, but may be too focussed on
systems that are oracular. As much as the program giving the user
information, there must be the idea of the user giving the
program guidance.
o Use local area nets to make human teams that really work (ie,
are more effective than their component members). This is
generally the area of “groupware”, already a very popular
commercial pursuit. The change in viewpoint here would be to
regard the group activity as a combination organism. In one
sense, this suggestion might be regarded as the goal of inventing
a “Rules of Order” for such combination operations. For instance,
group focus might be more easily maintained than in classical
meetings. Expertise of individual human members could be isolated
from ego issues such that the contribution of different members
is focussed on the team project. And of course shared data bases
could be used much more conveniently than in conventional
committee operations. (Note that this suggestion is aimed at team
operations rather than political meetings. In a political
setting, the automation described above would simply enforce the
power of the persons making the rules!)
o Exploit the worldwide Internet as a combination human/machine
tool. Of all the items on the list, progress in this is
proceeding the fastest and may run us into the Singularity before
anything else. The power and influence of even the present-day
Internet is vastly underestimated. For instance, I think our
contemporary computer systems would break under the weight of
their own complexity if it weren’t for the edge that the USENET
“group mind” gives the system administration and support people!)
The very anarchy of the worldwide net development is evidence of
its potential. As connectivity and bandwidth and archive size and
computer speed all increase, we are seeing something like Lynn
Margulis’ [14] vision of the biosphere as data processor
recapitulated, but at a million times greater speed and with
millions of humanly intelligent agents (ourselves).

The above examples illustrate research that can be done within
the context of contemporary computer science departments. There are
other paradigms. For example, much of the work in Artificial
Intelligence and neural nets would benefit from a closer connection
with biological life. Instead of simply trying to model and understand
biological life with computers, research could be directed toward the
creation of composite systems that rely on biological life for
guidance or for the providing features we don’t understand well enough
yet to implement in hardware. A long-time dream of science-fiction has
been direct brain to computer interfaces [2] [28]. In fact, there is
concrete work that can be done (and has been done) in this area:
o Limb prosthetics is a topic of direct commercial applicability.
Nerve to silicon transducers can be made [13].  This is an
exciting, near-term step toward direct communcation.
o Similar direct links into brains may be feasible, if the bit
rate is low: given human learning flexibility, the actual
brain neuron targets might not have to be precisely selected.
Even 100 bits per second would be of great use to stroke
victims who would otherwise be confined to menu-driven
interfaces.
o Plugging in to the optic trunk has the potential for bandwidths
of 1 Mbit/second or so. But for this, we need to know the
fine-scale architecture of vision, and we need to place an
enormous web of electrodes with exquisite precision.  If we want
our high bandwidth connection to be _in addition_ to what paths
are already present in the brain, the problem becomes vastly more
intractable. Just sticking a grid of high-bandwidth receivers
into a brain certainly won’t do it.  But suppose that the
high-bandwidth grid were present while the brain structure was
actually setting up, as the embryo develops.  That suggests:
o Animal embryo experiments. I wouldn’t expect any IA success
in the first years of such research, but giving developing brains
access to complex simulated neural structures might be very
interesting to the people who study how the embryonic brain
develops.  In the long run, such experiments might produce
animals with additional sense paths and interesting intellectual
abilities.

Originally, I had hoped that this discussion of IA would yield
some clearly safer approaches to the Singularity. (After all, IA
allows our participation in a kind of transcendance.) Alas, looking
back over these IA proposals, about all I am sure of is that they
should be considered, that they may give us more options. But as for
safety …  well, some of the suggestions are a little scarey on their
face. One of my informal reviewers pointed out that IA for individual
humans creates a rather sinister elite. We humans have millions of
years of evolutionary baggage that makes us regard competition in a
deadly light. Much of that deadliness may not be necessary in today’s
world, one where losers take on the winners’ tricks and are coopted
into the winners’ enterprises. A creature that was built _de novo_
might possibly be a much more benign entity than one with a kernel
based on fang and talon. And even the egalitarian view of an Internet
that wakes up along with all mankind can be viewed as a nightmare
[25].

The problem is not that the Singularity represents simply the
passing of humankind from center stange, but that it contradicts some
of our most deeply held notions of being. I think a closer look at the
notion of strong superhumanity can show why that is.

_Strong Superhumanity and the Best We Can Ask for_

Suppose we could tailor the Singularity. Suppose we could attain
our most extravagant hopes. What then would we ask for:
That humans themselves would become their own successors, that
whatever injustice occurs would be tempered by our knowledge of our
roots. For those who remained unaltered, the goal would be benign
treatment (perhaps even giving the stay-behinds the appearance of
being masters of godlike slaves).  It could be a golden age that also
involved progress (overleaping Stent’s barrier). Immortality (or at
least a lifetime as long as we can make the universe survive [9]
[3]) would be achievable.

But in this brightest and kindest world, the philosophical
problems themselves become intimidating. A mind that stays at the same
capacity cannot live forever; after a few thousand years it would look
more like a repeating tape loop than a person.  (The most chilling
picture I have seen of this is in [17].)  To live indefinitely long,
the mind itself must grow … and when it becomes great enough, and
looks back … what fellow-feeling can it have with the soul that it
was originally?  Certainly the later being would be everything the
original was, but so much vastly more. And so even for the individual,
the Cairns-Smith (or Lynn Margulis) notion of new life growing
incrementally out of the old must still be valid.

This “problem” about immortality comes up in much more direct
ways.  The notion of ego and self-awareness has been the bedrock of
the hardheaded rationalism of the last few centuries. Yet now the
notion of self-awareness is under attack from the Artificial
Intelligence people (“self-awareness and other delusions”).
Intelligence Amplification undercuts the importance of ego from
another direction.  The post-Singularity world will involve extremely
high-bandwidth networking. A central feature of strongly superhuman
entities will likely be their ability to communicate at variable
bandwidths, including ones far higher than speech or written messages.
What happens when pieces of ego can be copied and merged, when the
size of a selfawareness can grow or shrink to fit the nature of the
problems under consideration?  These are essential features of strong
superhumanity and the Singularity. Thinking about them, one begins to
feel how essentially strange and different the Post-Human era will be
— _no matter how cleverly and benignly it is brought to be_.

From one angle, the vision fits many of our happiest dreams:
a place unending, where we can truly know one another and understand
the deepest mysteries.  From another angle, it’s a lot like the worst
case scenario I imagined earlier in this paper.

Which is the valid viewpoint? In fact, I think the new era is
simply too different to fit into the classical frame of good and
evil. That frame is based on the idea of isolated, immutable minds
connected by tenuous, low-bandwith links. But the post-Singularity
world _does_ fit with the larger tradition of change and cooperation
that started long ago (perhaps even before the rise of biological
life). I think there _are_ notions of ethics that would apply in such
an era. Research into IA and high-bandwidth communications should
improve this understanding.  I see just the glimmerings of this now,
in Good’s Meta-Golden Rule, perhaps in rules for distinguishing self
from others on the basis of bandwidth of connection. And while mind
and self will be vastly more labile than in the past, much of what we
value (knowledge, memory, thought) need never be lost. I think
Freeman Dyson has it right when he says [8]: “God is what mind becomes
when it has passed beyond the scale of our comprehension.”

[I wish to thank John Carroll of San Diego State University and Howard
Davidson of Sun Microsystems for discussing the draft version of this
paper with me.]

_Annotated Sources [and an occasional plea for bibliographical help]_

[1] Alfvén, Hannes, writing as Olof Johanneson, _The End of Man?_,
Award Books, 1969 earlier published as “The Tale of the Big
Computer”, Coward-McCann, translated from a book copyright 1966
Albert Bonniers Forlag AB with English translation copyright 1966
by Victor Gollanz, Ltd.

[2] Anderson, Poul, “Kings Who Die”, _If_, March 1962, p8-36.
Reprinted in _Seven Conquests_, Poul Anderson, MacMillan Co., 1969.

[3] Barrow, John D. and Frank J. Tipler, _The Anthropic Cosmological
Principle_, Oxford University Press, 1986.

[4] Bear, Greg, “Blood Music”, _Analog Science Fiction-Science Fact_,
June, 1983. Expanded into the novel _Blood Music_, Morrow, 1985

[5] Cairns-Smith, A. G., _Seven Clues to the Origin of Life_, Cambridge
University Press, 1985.

[6] Conrad, Michael _et al._, “Towards an Artificial Brain”,
_BioSystems_, vol23, pp175-218, 1989.

[7] Drexler, K. Eric, _Engines of Creation_, Anchor Press/Doubleday, 1986.

[8] Dyson, Freeman, _Infinite in All Directions_, Harper && Row, 1988.

[9] Dyson, Freeman, “Physics and Biology in an Open Universe”, _Review
of Modern Physics_, vol 51, pp447-460, 1979.

[10] Good, I. J., “Speculations Concerning the First Ultraintelligent
Machine”, in _Advances in Computers_, vol 6, Franz L. Alt and
Morris Rubinoff, eds, pp31-88, 1965, Academic Press.

[11] Good, I. J., [Help! I can’t find the source of Good’s Meta-Golden
Rule, though I have the clear recollection of hearing about it
sometime in the 1960s. Through the help of the net, I have found
pointers to a number of related items. G. Harry Stine and Andrew
Haley have written about metalaw as it might relate to
extraterrestrials: G. Harry Stine, “How to Get along with
Extraterrestrials … or Your Neighbor”, _Analog Science Fact-
Science Fiction_, February, 1980, p39-47.]

[12] Herbert, Frank, _Dune_, Berkley Books, 1985. However, this novel was
serialized in _Analog Science Fiction-Science Fact_ in the 1960s.

[13] Kovacs, G. T. A. _et al._, “Regeneration Microelectrode Array for
Peripheral Nerve Recording and Stimulation”, _IEEE Transactions
on Biomedical Engineering_, v 39, n 9, pp 893-902.

[14] Margulis, Lynn and Dorion Sagan, _Microcosmos, Four Billion Years of
Evolution from Our Microbial Ancestors_, Summit Books, 1986.

[15] Minsky, Marvin, _Society of Mind_, Simon and Schuster, 1985.

[16] Moravec, Hans, _Mind Children_, Harvard University Press, 1988.

[17] Niven, Larry, “The Ethics of Madness”, _If_, April 1967, pp82-108.
Reprinted in _Neutron Star_, Larry Niven, Ballantine Books, 1968.

[18] Penrose, R., _The Emperor’s New Mind_, Oxford University Press, 1989.

[19] Platt, Charles, Private Communication.

[20] Rasmussen, S. _et al._, “Computational Connectionism within Neurons:
a Model of Cytoskeletal Automata Subserving Neural Networks”, in
_Emergent Computation_, Stephanie Forrest, ed., p428-449, MIT
Press, 1991.

[21] Searle, John R., “Minds, Brains, and Programs”, in _The Behavioral and
Brain Sciences_, v.3, Cambridge University Press, 1980. The
essay is reprinted in _The Mind’s I_, edited by Douglas R.
Hofstadter and Daniel C. Dennett, Basic Books, 1981. This
reprinting contains an excellent critique of the Searle essay.

[22] Sims, Karl, “Interactive Evolution of Dynamical Systems”, Thinking
Machines Corporation, Technical Report Series (published in _Toward
a Practice of Autonomous Systems: Proceedings of the First European
Cnference on Artificial Life_, Paris, MIT Press, December 1991.

[23] Stapledon, Olaf, _The Starmaker_, Berkley Books, 1961 (but from
the forward probably written before 1937).

[24] Stent, Gunther S., _The Coming of the Golden Age: A View of the End
of Progress_, The Natural History Press, 1969.

[25] Swanwick Michael, _Vacuum Flowers_, serialized in _Isaac Asimov’s
Science Fiction Magazine_, December(?) 1986 – February 1987.
Republished by Ace Books, 1988.

[26] Thearling, Kurt, “How We Will Build a Machine that Thinks”, a workshop
at Thinking Machines Corporation. Personal Communication.

[27] Ulam, S., Tribute to John von Neumann, _Bulletin of the American
Mathematical Society_, vol 64, nr 3, part 2, May, 1958, p1-49.

[28] Vinge, Vernor, “Bookworm, Run!”, _Analog_, March 1966, pp8-40.
Reprinted in _True Names and Other Dangers_, Vernor Vinge, Baen
Books, 1987.

[29] Vinge, Vernor, “True Names”, _Binary Star Number 5_, Dell, 1981.
Reprinted in _True Names and Other Dangers_, Vernor Vinge, Baen
Books, 1987.

[30] Vinge, Vernor, First Word, _Omni_, January 1983, p10.

Outros blogs possíveis

Agora que comecei um blog, vários outros tipos de blog começam a aparecer pra mim.

RebelMouse

HotGlue

PearlTrees

 

Tentador… Mas vou tentar seguir aqui por enquanto.

Nanotecnologia

Segundo Rodney Brooks, diretor do laboratório de inteligência do MIT: “A nossa meta nos próximos trinta anos é ter um controle tão apurado sobre a genética dos sistemas vivos que em vez de fazer crescer uma árvore, cortá-la e fabricar uma mesa a partir dela, seremos finalmente capazes de ‘fazer crescer’ a própria mesa.” (Grupo ETC, 2005).

 

Envisioning Technology

by mz.
Explore more infographics like this one on the web’s largest information design community – Visually.

A banalidade do mal na Rede Globo

da Wikipedia:

“No ano de 1961, 15 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, inicia-se em Israel o julgamento de Adolf Eichmann por crimes de genocídio contra os judeus, durante a guerra. O julgamento intensamente mediatizado, é envolvido por muita polêmica e controvérsia. Quase todos os jornais do mundo enviam correspondentes para cobrirem as sessões, tornadas públicas pelo governo israelense. Uma das correspondentes presentes ao julgamento, como enviada da revista The New Yorker, é a filósofa alemã, naturalizada norte-americana, Hannah Arendt.

Além de crimes contra o povo judeu, Adolf Eichmann foi acusado de crimes contra a Humanidade e de pertencer a uma organização com fins criminosos. O réu se declarou “inocente no sentido das acusações”. No entanto, foi condenado por todas as quinze acusações que pesavam contra ele e enforcado em 1962, nas proximidades de Tel Aviv.1

Em 1963, com base em seus relatos escritos para The New Yorker, sobre o julgamento, Arendt publica um livro – Eichmann em Jerusalém. Nele, ela descreve não somente o desenrolar das sessões, mas faz uma análise do “indivíduo Eichmann”. Segundo ela, Adolf Eichmann não possuía um histórico ou traços antissemitas e não apresentava características de um caráter distorcido ou doentio. Ele agiu segundo o que acreditava ser o seu dever, cumprindo ordens superiores e movido pelo desejo de ascender em sua carreira profissional, na mais perfeita lógica burocrática. Cumpria ordens sem questioná-las, com o maior zelo e eficiência, sem refletir sobre o Bem ou o Mal que pudessem causar.

Em Eichmann em Jerusalém, Arendt retoma a questão do mal radical kantiano, politizando-o. Analisa o mal quando este atinge grupos sociais ou o próprio Estado. Segundo a filósofa, o mal não é uma categoria ontológica, não é natureza, nem metafísica. É político e histórico: é produzido por homens e se manifesta apenas onde encontra espaço institucional para isso – em razão de uma escolha política. A trivialização da violência corresponde, para Arendt, ao vazio de pensamento, onde a banalidade do mal se instala.”

Em suma, Hannah Arendt justificou alguns atos vistos moralmente como malignos praticados por pessoas normais que simplesmente seguem ordens, burocracias, tem contas pra pagar ao fim do mês e jamais param para refletir sobre o contexto mundial ou sentido no que fazem.

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No contexto da Zona Sul do Rio de Janeiro, vejo práticas semelhantes frequentemente:

Terminei um relacionamento com um criativo publicitário que, para pagar seu aluguel e seus padrões de consumo emergentes como blusas Lacoste e jantares no Astor, aceitava o planejamento de vender e viciar crianças da Costa Rica em Coca-Cola pro resto da vida. Ele estava com 32 anos, aos 15 anos trabalhava vendendo legumes na feira, estudou muito, trabalhou anos praticamente de graça e finalmente conseguia um reconhecimento entre seus amigos da Zona Sul. Era extremamente vaidoso mas não levava jeito para as artes plásticas e sentia-se frustrado com isso. Seu mundinho girava em torno de si mesmo e considerava suas contas e estilo de vida o ponto final do seu trabalho.

Durante meses me encontrei semanalmente com o diretor executivo de logística de uma das maiores empresas do Brasil para tomar uma cervejinha. Ele era responsável por uma monumental obra dessas que remove comunidades inteiras e destrói terras indígenas com aval do governo federal. Toda quarta-feira ele voava para Brasília para reunir-se com o ministro da Justiça e pressionar para que demarcações indígenas fossem ignoradas e que povos fossem removidos. Ele assinava em baixo de devastação ambiental, sofrimento humano e destruição de culturas milenares diariamente. Estava passando por uma separação e tinha 3 filhos pra criar e sustentar. Sua família morava em um apartamento próprio no Leblon em obras, ele aluga em Ipanema, além da casa de Búzios pra onde viajavam sempre. Em suas casas trabalhavam 7 empregados (cozinheiros, babás, arrumadeiras, motoristas, jardineiros, etc), praticamente uma microempresa. Ele odiava o seu trabalho enfadonho, queria se dedicar a arte e escrever peças mas tinha muito medo, passou a vida lutando para chegar onde chegou, teve problemas com drogas na juventude chegando a ser internado e considerava-se um vitorioso, estudioso e gênio por ter se recuperado com tanto sucesso. Quando questionado sobre a ética, respondia que tinha filhos pra criar e pessoas a sustentar. Não via outra opção. No fim das contas pediu demissão e mudou de emprego. Hoje está muito infeliz e pagando todo seu Karma. Continua odiando índios.

Uma grande amiga é fóbica. Tem medo do mundo, trabalha de casa fazendo relatórios de Oil and Gás para um grande banco mexicano. Nos conhecemos há 11 anos e desde pequenas que ela diz que quer ser muito rica, fazer um milhão antes dos 30 anos e depois se dedicar à arte. O afastamento de todo seu talento artístico já começa a gerar neuroses e terríveis ataques fóbicos. Acredita que todo favelado é bandido e confia nos Estados Unidos para manter a ordem mundial. Pequeno gênio, já fez pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas em São Paulo e agora se prepara para mais uma pós na COPPEAD-UFRJ. De casa define políticas de petróleo do México que encontra-se a beira de uma revolução popular por causa da privatização do mesmo (ou algo nessa linha, não tenho certeza dos detalhes da revolta). Não existe empatia alguma com esse povo que, segundo ela, representa uma ameaça ao crescimento mundial almejado pelos economistas e políticos do mundo. Está quase completando seu milhão e ano que vem quer se mudar pra Nova Iorque.

Outra amiga de menor importância é produtora do RJTV na Rede Globo. Uma das pessoas mais adoráveis que já conheci, super ligada na natureza e na sustentabilidade, maconheira máxima, adora dançar e namora há anos. Um vez a encontrei na academia e, revoltada por mais uma dessas mentiras cotidianas, fui questioná-la sobre o que acontecia. Ela me respondeu que não tinha linha editorial mentirosa, que nada disso chegava até ela e que acreditava em mudar por dentro do sistema. Que estava lá há apenas um ano e que ainda não tinha poder algum lá dentro. Depois fiquei sabendo que ela ficou muito chateada com meu questionamento, me considerou grosseira e não nos falamos desde então. Sentiu-se injustiçada! Não coloca onde trabalha no Facebook.

E acontece com outros milhões por aí. O fim do mundo está sendo definido por pessoas que não tem empatia com a humanidade enquanto raça animal que vive em um planeta de recursos finitos. Pessoas vaidosas e individualistas, vítimas de recomendações maternas voltadas para roupas, sapatos e boas maneiras a mesa, que se compreendem superiores por terem simplesmente nascido com dinheiro, que encontram sua plenitude em reconhecimento material e no poder, que precisam da segurança da cegueira e da separação dos que sofrem. São inteligentes, engraçadas, artísticas e generosas mas seguem as regras impostas pela instituição onde trabalham porque a escola, a faculdade e a família lhes prometeu que assim seriam felizes.

São a banalidade do mal bem vestida e culta.

Acompanhando essa história do Rojão em que movimentos sociais encontram-se em uma verdadeira guerra de versões com a Rede Globo fiquei imaginando como será que se sentem os que lá trabalham. Como não mandam seus superiores pro caralho e saem dali dispostos a encontrar um trabalho mais digno e humano. Mas a verdade é que seus anseios de vaidade e segurança falam mais alto e seus costumes de obediência imperam. Não existe reforma onde não existe reflexão. Não defendo a piedade com essas pessoas, acredito que são criminosas. Hoje em dia a verdade está a um clique de nós. Somos filhos da Revolução da Informação e não podemos mais admitir a vida fácil dos que tem medo e dinheiro. Só não vê quem não quer. A banalidade do mal mudou porque na época que Hannah criou esse conceito, não havia acesso à toda essa contra informação e a tantos relatos do mundo em que vivemos. Hoje a banalidade do mal é a pior das maldades porque é banal por opção. Somente a revolução real pode acabar com isso, banalidade do mal compreensível está naqueles que lutam por reformas. O cenário está dado.

Guia para o impossível

Nota Pública Sobre os Acontecimentos na Central do Brasil

Fonte: Assembleia do Largo

O ato contra o aumento das passagens, realizado no dia 06 de fevereiro de 2014, contou com a presença de mais de três mil manifestantes, reunindo uma pluralidade de pessoas e movimentos diversos. O protesto dava sequência aos atos anteriores nos quais manifestantes, trabalhadores e usuários do transporte público reivindicavam melhorias e o barateamento da tarifa dos transportes públicos por meio de um catracaço realizado na estação Central do Brasil. Diferentemente das duas ocasiões anteriores, a polícia dispersou a multidão de forma truculenta, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo foram amplamente utilizadas contra todos os que se encontravam nas imediações da estação Central do Brasil naquele momento, sendo estes manifestantes, usuários do transporte ou mesmo transeuntes desavisados.

Por conta da atuação policial, a situação rapidamente se tornou caótica, culminando na morte de duas pessoas. Nesse mesmo dia presenciamos o atropelamento e morte de Tasman Accioly e o grave ferimento que vitimou Santiago Ilídio Andrade, cinegrafista da Rede Bandeirantes de Televisão. Diante do ocorrido, nós, abaixo assinados, prestamos solidariedade às vítimas, suas famílias e amigos, e lamentamos profundamente a situação que levou aos dois acidentes. Entendemos que tais perdas representam tragédias pessoais pois cada vida deve ser valorizada de maneira igualitária, mas também coletivas pois dizem respeito à todos nós que estamos nas ruas. Dessa forma, para que estas e outras tragédias não sigam acontecendo, nos sentimos na obrigação de levantar alguns pontos importante para reflexão:

1) Desde o início dos protestos, o direito à reunião, à opinião e à livre manifestação (legítimos e amparados pela Constituição Federal de 1988) têm sido severamente atacados por meio do uso abusivo da força policial que conta com o respaldo de outras instituições públicas e privadas. Apesar de ser responsável direto por dezenas de mortes e centenas de pessoas feridas com gravidade em atos cuja intencionalidade foi clara, o poder público e empresarial quer transferir sua violência àqueles que estão nas ruas, lutando por melhores condições de vida e mais democracia. Está muito claro que a violência que agora aparece é resultado dos arranjos de poder costurados antes. Assim como as estratégias adotadas pelo governo e a grande mídia corporativa para reprimir as manifestações só vão produzir as condições para que a violência se agrave mais no futuro.

As manifestações sempre se pautaram pela contestação PACÍFICA à forma de atuação de governantes e empresários na gestão do país e da cidade do Rio de Janeiro, no sentido de jamás ter o objetivo de causar risco à vida de quem quer que seja. Uma semana antes, dois atos puxados pelos manifestantes contra o aumento abusivo das passagens ocorreram sem maiores transtornos. Qual a diferença entre eles e o de quinta-feira, 06 de fevereiro? Nós respondemos: o massacre perpetrado pela PMERJ na Central do Brasil na última quinta-feira, que estendeu o conflito à toda a região do Centro e aos trabalhadores que por ali passavam no momento. Jamais os manifestantes visaram atingir quem quer que fosse.

O que ocorreu com o jornalista da Rede Bandeirantes de Televisão Santiago Andrade, bem como a morte do vendedor ambulante Tasman Accioly foram fatos inaceitáveis ocasionados por um conflito violento que não desejamos e SOBRETUDO QUE NÃO INICIAMOS. As responsabilidades, devem ser tratadas com seriedade e respeito aos direitos de todos os indiciados ou acusados, sejam eles policiais

ou manifestantes. Repudiamos todo julgamento prévio e o linchamento público que dele resulta.

2) A violência e o assassinato fazem parte do repertório político do Estado na tentativa de controlar a população e impedir manifestações populares. Vale lembrar que, desde junho de 2013, foram pelo menos 25 mortos[1] em decorrência direta da ação da polícia contra as manifestações e os manifestantes. Segundo dados da Abraji[2], apenas em 2013 foram 114 jornalistas feridos nas manifestações, a grande maioria deles atingida por artefatos e golpes de policiais militares. Recordamos ainda que esses números se referem apenas às agressões que foram registradas, podendo este ser ainda maior pois por medo de perseguição política muitas agressões acabam não sendo denunciadas. Todavia, nenhum dos feridos nas manifestações, dentre os quais o fotógrafo Sérgio Silva que perdeu um olho ao tomar um tiro de bala de borracha disparado pela polícia, mereceu qualquer retratação por parte do Estado nem a mesma atenção por parte da mídia corporativa. Os policiais envolvidos nas agressões jamais foram responsabilizados pelos atos de violência, nem investigações foram levadas adiante. Nesse mar de atrocidades, por que dar exclusividade ao caso de Santiago? Essa tragédia não pode servir como pretexto para qualquer repressão maior ao exercício dos direitos políticos. Ou assumimos todos a luta pela democracia ou corremos o risco de ver o Estado de exceção e a violência se tornarem o único horizonte político.

3) A violência que ocorre na, ou mais propriamente contra as manifestações é também semeada pela mídia. Quem se lembra, por exemplo, quando em julho de 2013, por ocasião da visita do papa ao Rio de Janeiro, a Rede Globo de Televisão editou imagens e acusou, de modo leviano e irresponsável, o ativista Bruno Ferreira Telles de ter atirado um “coquetel molotov” contra a polícia? Em seguida, no entanto, foram levantados fatos e convincentes indícios, por iniciativa exclusiva dos demais manifestantes de que: a) o artefato havia sido atirado por um policial infiltrado (P2), fato jamais esclarecido pelo Estado ou pela referida rede de televisão; b) que toda a edição de imagens da Rede Globo era falsa, quando não abertamente mentirosa e, por isso mesmo, criminosa; c) que as acusações faziam parte de uma estratégia da empresa de comunicação em parceria com o governo do Estado para criminalizar e desacreditar o movimento. Mais ainda, quem se lembra da atuação do Promotor Público em entrevista à referida emissora, condenando sem provas e totalmente fora de seu campo de atuação um manifestante por “tentativa de homicídio”? Ainda aguardamos os pedidos de desculpas da emissora da família Marinho e do agente público em questão pela exploração leviana e vil destes episódios. A mesma que vemos agora envolvendo novamente a Rede Globo de Televisão e o delegado responsável pelo caso Santiago. Lembremos, ainda, do caso grotesco do morador de rua Rafael Vieira, o primeiro condenado durante as manifestações, que segue preso por portar uma garrafa de desinfetante e outra de água sanitária.

A cobertura da grande imprensa não se orienta pelo esclarecimento dos fatos, mas pela intervenção política e a intenção de acuar e demonizar os protestos, com o intuito de manter salvaguardados seus interesses e aqueles de seus sócios. Desde pelo menos a ditadura empresarial-militar de 1964 que a Rede Globo de Televisão faz o duplo papel de parte envolvida no conflito e de juíza deste mesmo conflito: declara-se imparcial, mas defende a atual política de transportes – incluindo o aumento rejeitado pelo relatório do tribunal de Contas do município TCM – e atua desde junho de 2013 para criminalizar e desqualificar o movimento.

4) Os acidentes envolvendo jornalistas também são responsabilidade das empresas para as quais estes trabalham. Reiteradamente, assistimos a negligência destas quanto à segurança de seus empregados. Quando as empresas agora expressam pesar, como no caso do jornalista Santiago Andrade, da Rede

Bandeirantes de Televisão, é com cinismo que o fazem, pois nunca se importaram com a vida da população ou com a segurança de seus funcionários. A Rede Bandeirantes de Televisão enviou o jornalista Santiago Andrade sem qualquer Equipamento de Proteção Individual (EPI) – conforme regula a Norma Reguladora n. 06 – para a linha de frente de um conflito marcado desde o início pela violência do Estado. Vide ainda o caso do jornalista Tim Lopes, morto pelas mãos de traficantes armados, mas enviado para eles pela empresa que o contratava, a Rede Globo de Televisão, da família Marinho, segundo afirma a própria viúva de Tim[3].

5) A violência estatal e empresarial também marca a realidade carioca do serviço público de transporte. Recentemente, três trágicos acidentes automobilísticos e ferroviários abalaram a cidade do Rio de Janeiro: um ônibus da viação ‘Paranapuan’ despencou de um viaduto próximo à Ilha do Governador, em abril de 2013, matando 09 pessoas, após um passageiro agredir o motorista que, sozinho tinha que contê-lo, dirigir o ônibus e ainda fazer as vezes de trocador, tudo ao mesmo tempo; no dia 22 de janeiro de 2014 um trem da Supervia descarrilou, ocasionando grande transtorno aos usuários, que não receberam a devida assistência da concessionária e tiveram que caminhar pela via férrea, correndo o risco de serem atingidos por outros trens; finalmente, no dia 28 de janeiro último, um caminhão a serviço da prefeitura atingiu uma passarela na Linha Amarela, que por causa do impacto acabou despencando, e matou cinco pessoas e feriu outras tantas. Tais casos, envolvendo falta de segurança, negligência na manutenção dos transportes e precárias condições de trabalho – a dupla função no caso do motorista de ônibus – não receberam maiores atenções por parte da mídia ou do Estado, nem tiveram averiguadas as responsabilidades em questão. Quando se trata de agentes econômicos poderosos e dos governantes municipais e estaduais, nenhum perito é convidado a falar, e a corda arrebenta sempre, invariavelmente, do lado mais fraco. Então perguntamos: a vida dessas pessoas não vale uma investigação? Essa violência brutal, fruto dos arranjos mafiosos em torno do sistema de transportes não possuem responsáveis? Onde está a CPI dos ônibus? Quem mandou engaveta-la? E com que fim?

7) Por tudo isso, não vamos aceitar o clima de guerra que o Estado e a Rede Globo de Televisão mais uma vez tentam nos impor. Eles, que sempre plantaram o medo e a violência, que não sabem lidar com a contestação que a multidão pratica nas ruas, são os únicos beneficiários desta política do medo e da violência. Neste sentido, talvez seja oportuno recuperar o motivo pelo qual estamos nas ruas, e também as razões pelas quais as manifestações cresceram e se massificaram.

Contra a violência cotidiana dos transportes, a tarifa zero e uma vida sem catracas; contra a violência cotidiana do Estado e sua polícia, a desmilitarização e a paz dos muitos que saem às ruas; contra a violência cotidiana da mídia, a valorização da resistência que é condição para qualquer democracia digna deste nome; contra a violência dos grandes eventos e a cidade-mercado, a luta da população que cria e recria o Rio de Janeiro e que resiste nas redes e nas ruas.

As manifestações são o resultado da falência dos acordos de gabinete envolvendo empresários, imprensa corporativa e governantes. A resistência da população que luta é a única possibilidade de atingirmos uma real democracia, que só pode se dar de fato através da participação popular na gestão pública. Nas ruas, buscamos a todo custo praticar a democracia que defendemos. Não fazemos projetos mentirosos nem vendemos esperança de dias melhores para a população. A democracia que pregamos é a mesma que rege o funcionamento horizontal de catracaços, assembleias, grupos e eventos coletivos. Se há um traço capaz de unir pessoas e grupos tão diferentes é a alegria por compartilhar a construção de uma cidade mais democrática; a coragem de enfrentar o medo e lutar por um Rio de Janeiro mais

colorido e por isso mesmo pacífico; o amor pelo outro que nos leva a correr riscos nessa caminhada. E é exatamente por lutarmos pela vida – nossa e dos outros e outras pelas ruas – que não podemos deixar passar tamanha manipulação e oportunismo em torno da morte do cinegrafista Santiago Andrade e o absoluto silêncio diante de todas as outras perdas, sobre as quais a mídia, por conveniência, silenciou. Chega de Amarildos. Aqui ninguém fica pra trás!

[1] Disponível em: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2014/02/528893.shtml
[2] Disponível em: http://portal.comunique-se.com.br/index.php/comunicacao/73121-policia-e- responsavel-por-75-das-agressoes-a-jornalistas-revela-levantamento-da-abraji
[3] Disponível em: http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-omissao-da-tv-globo-no-caso-tim-lopes

MANIFESTO DE REPÚDIO À TIPIFICAÇÃO DO CRIME DE TERRORISMO

MAIS DE 140 MOVIMENTOS E ORGANIZAÇÕES SOCIAIS CONTRA O AI-5 DA ‘DEMOCRACIA’!

NÃO PASSARÃO!

MANIFESTO DE REPÚDIO À TIPIFICAÇÃO DO CRIME DE TERRORISMO:

Pelo presente manifesto, as organizações e movimentos subscritos vêm repudiar as propostas para a tipificação do crime de Terrorismo que estão sendo debatidas no Congresso Nacional, através da comissão mista, com propostas do Senador Romero Jucá e Deputado Miro Teixeira.

Primeiramente, é necessário destacar que tal tipificação surge num momento crítico em relação ao avanço da tutela penal frente aos direitos e garantias conquistados pelos diversos movimentos democráticos.
Nos últimos anos, houve intensificação da criminalização de grupos e movimentos reivindicatórios, sobretudo pelas instituições e agentes do sistema de justiça e segurança pública.

Inúmeros militantes de movimentos sociais foram e estão sendo, através de suas lutas cotidianas, injustamente enquadrados em tipos penais como desobediência, quadrilha, esbulho, dano, desacato, dentre outros, em total desacordo com o princípio democrático proposto pela Constituição de 1988.

Neste limiar, a aprovação pelo Congresso Nacional de uma proposta que tipifique o crime de Terrorismo irá incrementar ainda mais o já tão aclamado Estado Penal segregacionista, que funciona, na prática, como mecanismo de contenção das lutas sociais democráticas e eliminação seletiva de uma classe da população brasileira.

Nesta linha, o inimigo que se busca combater para determinados setores conservadores brasileiros, que permanecem influindo nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, é interno, concentrando-se, sobretudo, nos movimentos populares que reivindicam mudanças profundas na sociedade brasileira.

Dentre as várias propostas, destaca-se o Projeto de Lei de relatoria do Senador Romero Jucá, que em seu art. 2º define o que seria considerado como Terrorismo: “Art. 2º – Provocar ou infundir terror ou pânico generalizado mediante ofensa à vida, à integridade física ou à saúde ou à privação da liberdade de pessoa, por motivo ideológico, religioso, político ou de preconceito racial ou étnico: Pena – Reclusão de 15 a 30 anos”.

Trata-se, inicialmente, de uma definição deveras abstrata, pois os dois verbos provocar e infundir são complementados pelos substantivos terror e pânico. Quem definiria o que seria terror e pânico? Como seria a classificação do terror e pânico generalizado? Ora, esta enorme abstração traz uma margem de liberdade muito grande para quem vai apurar e julgar o crime. Além disso, esse terror ou pânico generalizado, já de difícil conceituação, poderia ser causado, segundo a proposta, por motivos ideológicos e políticos, o que amplia ainda mais o grau de abstração e inconstitucionalidade da proposta.

É sabido que as lutas e manifestações de diversos movimentos sociais são causadas por motivos ideológicos e políticos, o que, certamente, é amplamente resguardado pela nossa Constituição. Assim, fica claro que este dispositivo, caso seja aprovado, será utilizado pelos setores conservadores contra manifestações legítimas dos diversos movimentos sociais, já que tais lutas são realmente capazes de trazer indignação para quem há muito sobrevive de privilégios sociais.

Também a proposta do Deputado Miro Teixeira revela o caráter repressivo contra manifestações sociais, evidenciada em um dos oito incisos que tipifica a conduta criminosa: “Incendiar, depredar, saquear, destruir ou explodir meios de transporte ou qualquer bem público ou privado”. Verifica-se, portanto, que as propostas são construídas sobre verdadeiros equívocos políticos e jurídicos, passando ao largo de qualquer fundamento ou motivação de legitimidade.

Agregue-se, ainda, o cenário de repressão e legislação de exceção paulatinamente instituídos pela agenda internacional dos grandes eventos esportivos, solapando a soberania política, econômica, social e cultural do povo brasileiro, e a fórmula dos fundamentos e motivações da tipificação do crime de terrorismo se completa, revelando a sua dimensão de fascismo de estado, incompatível com os anseios de uma sociedade livre, justa e solidária.

Já contamos quase 50 anos desde o Golpe de 64 e exatamente 25 anos desde a promulgação da ‘Constituição Cidadã’. Nesse momento, diante da efervescência política e da bem-vinda retomada dos espaços públicos pela juventude, cumpre ao Congresso Nacional defender a jovem democracia brasileira e rechaçar projetos de lei cujo conteúdo tangencia medidas de exceção abomináveis como o nada saudoso ‘AI-5’.

Desta maneira, repudiamos veementemente estas propostas de tipificação do crime que, sobretudo, tendem muito mais a reprimir e controlar manifestações de grupos organizados, diante de um cenário já absolutamente desfavorável às lutas sociais como estamos vendo em todo o Brasil.

ASSINAM:

Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura – ACAT Brasil
Actionaid Brasil
Anarquistas Contra o Racismo – ACR
Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre – ANEL
Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo – ABEA
Associação Cultural José Martí/RS
Associação de Amizade Brasil-Cuba do Ceará (Casa José Martí)
Associação dos Especialistas em Políticas Públicas do Estado de São Paulo – AEPPSP
Associação dos Geógrafos Brasileiros – AGB
Associação dos Servidores do IJF – ASSIJF
Associação Juízes Para a Democracia – AJD
Associação Missão Tremembé – AMI
Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP
Associação Nacional dos Anistiados Políticos e Pensionistas
Bento Rubião – Centro de Defesa dos Direitos Humanos
Brigadas Populares
Casa da América Latina
Casa de Cultura e Defesa da Mulher Chiquinha Gonzaga
Cearah Periferia
Central de Movimentos Populares – CMP
Centro Cultural Manoel Lisboa
Centro de Assessoria à Autogestão Popular – CAAP
Centro de Defesa da Vida Herbert de Sousa – Ceará
Centro de Defesa dos Direitos Humanos Nenzinha Machado – Piauí
Centro de Direitos Humanos e Cidadania Ir. Jandira Bettoni – Lages/ Santa Catarina
Centro de Direitos Humanos e Educação Popular – CDDHEP – Acre
Centro de Direitos Humanos e Educação Popular do Campo Limpo – CDHEP
Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu
Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social – CENDHEC
Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos
Coletivo de Artistas Socialistas – CAS
Coletivo de Memória, Verdade e Justiça João Batista da Rita de Criciúma
Coletivo Desentorpecendo a Razão – DAR
Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça
Comboio
Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da Associação Brasileira de Imprensa – ABI
Comissão de Direitos Humanos do Sindicato dos Advogados de São Paulo
Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos do Piauí
Comitê Goiano da Memória, Verdade e Justiça
Comitê Memória, Verdade e Justiça da Paraíba
Comitê Memória, Verdade e Justiça do Ceará
Comitê Memória, Verdade e Justiça do Delta do Parnaíba – Piauí
Comitê Pela Desmilitarização
Comitê pela Verdade, Memória e Justiça do Piauí
Comitê Popular da Copa de Salvador
Comitê Popular da Copa de SP
Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro
Comitê Popular dos Atingidos pela Copa – COPAC BH
Comitê Popular Memória, Verdade, Justiça do RS
Comitê Verdade, Memória e Justiça de Pelotas e Região
Conectas
Confederação Nacional de Associações de Moradores – CONAM
Conselho Federal de Serviço Social – CFESS
Conselho Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de Campinas
Consulta Popular
Coordenação do Fórum Nacional de Reforma Urbana
Diretório Central Estudantil da Universidade Federal do Espírito Santo
Escola de Governo
Espaço Kaleidoscópio – Criciúma-SC
Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE
Federação Interestadual dos Sindicatos de Engenharia – FISENGE
Federação Nacional das Associações de Empregados da Caixa Econômica – FENAE
Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas – FNA
Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Brasil – FENEA
Fórum Catarinense Pelo Fim da Violência e da Exploração Sexual Infanto-juvenil
Fórum da Amazônia Oriental/ GT Urbano – FAOR
Fórum de Reparação e Memória do Rio de Janeiro
Fórum Direito à Memória e à Verdade do Espírito Santo
Fórum Nordeste de Reforma Urbana – FneRU
Fórum Sul de Reforma Urbana
Fórum Urbano da Amazônia Ocidental – FAOC
Frente de Resistência Urbana
Grupo Lambda LGBT Brasil
Grupo Tortura Nunca Mais – RJ
Grupo Tortura Nunca Mais – SP
Habitat para a Humanidade
Identidade – Grupo de Luta pela Diversidade Sexual
Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – IBASE
Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM
Instituto de Defensores de Direitos Humanos – DDH
Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais – PÓLIS
Instituto Edson Néris
Instituto Frei Tito
Instituto Paulista da Juventude – IPJ
Instituto Práxis de Direitos Humanos
Instituto Terra, Trabalho e Cidadania – ITTC
Justiça Global
Levante Popular da Juventude
Luta Popular
Mães de Maio
Marcha Mundial das Mulheres
Movimento AnarcoPunk – MAP
Movimento da Juventude Andreense – MJA
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB
Movimento de Moradia do Centro – MMC
Movimento de Segurança Urbana e Carcerária
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST
Movimento em Defesa da Economia Nacional – MODECOM
Movimento Hip-Hop Organizado – MH2O
Movimento Moinho Vivo – Favela do Moinho
Movimento Mulheres em Luta – MML
Movimento Nacional dos Direitos Humanos – MNDH
Movimento Nacional de Luta pela Moradia – MNLM
Movimento Palestina Para Tod@s
Movimento Passe Livre – MPL
Movimento Periferia Ativa
Núcleo de Direito à Cidade – USP
Núcleo De Diversidade Seremos – ACR
Partido Comunista Revolucionário
Pastoral Carcerária Nacional
Pastoral da Juventude da Arquidiocese de São Paulo
Quilombo Raça e Classe
Reaja Ou Será Morto, Reaja Ou Será Morta (Bahia)
Rede 2 de Outubro
Rede de Comunidades e Movimentos Contra Violência (RJ)
Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicador@s – RENAJOC
Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares – RENAP
Rede Nacional de Familiares e Amigos de Vítimas do Estado
Rede Observatório das Metrópoles
Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
Sarau Perifatividade
Serviço de Paz e Justiça – SERPAJ, América Latina
Serviço Ecumênico de Militância nas Prisões/SEMPRO – Pernambuco
Serviço Franciscano de Solidariedade – SEFRAS
Serviço Inter-Franciscano de Justiça, Paz e Ecologia – SINFRAJUPE
Sindicato dos Gráficos do Ceará – SINTIGRACE
Sindicato dos Servidores do Município de Fortaleza – SINDIFORT
Streetnet Internacional
Terra de Direitos
Tribunal Popular
39º Núcleo do CPERS – Sindicato
União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os da Classe Trabalhadora – UNEAFRO
União Nacional por Moradia Popular – UNMP
Viração Educomunicação

Não importa quem foi

Talvez o Rojão não tenha vindo do Black Bloc. Acho muito possível que tenha vindo da polícia de alguma forma. Já circulam fotos do suspeito P2 na internet. Não podemos negar que essa situação toda facilitou bastante a implantação de políticas mais duras contra os manifestantes, o que já era uma grande preocupação do governo federal pré copa do mundo. Então não seria nada espantoso que tudo tivesse sido uma grande armação.

Mesmo assim, sigo defendendo que o Black Bloc tem que parar. Porque essa dinâmica de violência nas manifestações vem dando brechas para a implantação de uma ditadura com apoio da opinião pública, a articulação estado-mídia precisa ser levada em consideração para ações futuras. A tática do bloco negro que se repete (variando apenas o grau da radicalidade das ações) já se tornou uma peça em um tabuleiro muito mais complexo do que imaginamos. Por causa da constância da ação já é possível prever, manipular e se organizar apropriadamente para lidar com os anarcopunks revoltados.

Se o estado quer implantar uma medida tão ditatorial quanto essa nova lei que enquadra manifestantes enquanto terroristas por motivos de aparências internacionais, é claro que ele vai se aproveitar do despreparo dos manifestantes juvenis (muitos iniciados na política desde Junho passado) e mexer as peças no seu tabuleiro contando com o peão Globo sempre ao seu lado.

Então não importa se veio mesmo do Black Bloc ou se veio do P2. Essa situação previsível e ineficaz enquanto propulsora de mudança não faz mais sentido. Já virou samba do criolo doido, casa da mãe joana, pra lá de Bagdá. Precisamos rever estratégias.

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Porque sinto vontade de vomitar

Gilberto Dimenstein | Catraca Livre

Pelas redes sociais vejo a foto de um jovem amarrado ontem na avenida Paulista, vítima de um trote. O trote foi feito por alunos de uma faculdade de comunicação (Cásper Líbero), vejam só, de relações públicas e propaganda — gente que escolheu profissionalmente se comunicar produtivamente.

A imagem me fez lembrar o rapaz espancado e acorrentado no Rio, acusado de cometer crimes. O que se seguiu a essa imagem foi uma onda de solidariedade aos “justiceiros” — só isso já mostra até onde vai a doença da violência.

A cena ofereceu momentos de glória para uma apresentadora de TV (Rachel Sheherazade) que, em essência, disse o seguinte: a sociedade está cansada de impunidade e aquele tipo de revide quem sabe funcione. Recebeu centenas de milhares de aplauso.

Não vou comentar o que ela falou. Mas só registrar que esse tipo de postura ganha apoio na sociedade, devido à insegurança generalizada. Entre os apoiadores da apresentadora, Paulo Maluf, que, como sabemos, fez muito menos delinquências do que aquele jovem acorrentado.

Para completar, ainda estamos todos chocados com a morte do cinegrafista no Rio, vítima dos Black Blocs, que se transformaram, vejam só, em força politica — mas são apenas delinquentes.

Enquanto isso, Fábio Porchat é ameaçado de morte porque fez um vídeo (ótimo, aliás) para o Porta dos Fundos denunciando, pelo humor, a violência policial.

Sinceramente, dá vontade de vomitar.